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O que acontece quando uma prova precisa atravessar uma narrativa diante de sete jurados?
No tribunal do júri, a decisão nasce do encontro entre Direito, prova, linguagem, memória, emoção e experiência social. Isso não significa que jurados decidam simplesmente "pelo coração", nem que a emoção seja sempre um defeito. Significa que toda apresentação de prova acontece em um ambiente humano, público e constitucionalmente delimitado - e que uma história coerente pode parecer verdadeira antes de ser examinada.
O Júri Diante da Prova oferece um guia visual e rigoroso para compreender o tribunal do júri brasileiro. O livro percorre a soberania dos veredictos, a plenitude de defesa, os limites do art. 478 do Código de Processo Penal, a proibição de surpresa probatória do art. 479, a quesitação dos arts. 482 e 483, a tese de clemência, o Tema 1.087 do STF, a ADPF 779 e o controle recursal do art. 593.
A proposta é prática: separar fato, prova, inferência, emoção, tese, quesito e consequência jurídica. Ao longo da obra, o leitor encontra mapas do rito bifásico, auditorias de narrativa, matrizes de confiabilidade, checklists de plenário, fluxos de quesitação, painéis de emoção extraprobatória, oficinas de casos-síntese e um protocolo final para revisar como uma informação se transforma - ou não - em veredicto.
O texto dialoga com estudos brasileiros sobre jurados, emoção e poder, pesquisas sobre vieses cognitivos e decisão, literatura comparada sobre jurados e fontes oficiais do STF e do Código de Processo Penal. Estudos estrangeiros são tratados como evidência comparada, não como estatística brasileira; pesquisas empíricas locais são apresentadas com seu universo e seus limites.
Este não é um manual de teatralização do plenário. É um treinamento para ouvir melhor: reconhecer o que emociona, o que prova, o que pode ser perguntado, o que deve ser excluído e o que ainda pode ser controlado pelo recurso.